quarta-feira, Novembro 02, 2005

Proximizade

Proximizade


Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.

terça-feira, Agosto 30, 2005

Pela Noite...

Foto de Lupan

Toma esta semente
semeia-a do lado esquerdo do coração
aí onde confluem os oceanos
e se agitam as marés
escuta os ventos que para ele correm
debruça-te depois sobre o espelho de tuas àguas.
Aí verás o teu rosto coroado com as cores do entardecer...
Agora, vem...
vem pela noite, vem
ah, mas não tardes
cansadas as palavras já não servem..
Apenas uma ainda na minha boca, o teu nome
soberano ele é de meus domínios.
Respira-me,
procura novos portos no meu corpo
que sirvam à distância que te trouxe.
Desvenda as marés de meu sangue
e a lava que incendeia as veredas do que sinto.
Decifra meus signos e todos os temores
que não ouso confessar.
Despe-me a solidão, e deixa-me assim
apenas com o que de ti vem...

quinta-feira, Agosto 25, 2005

Aqui...


Aqui, meu amor, os dias não passam,
nem as ilusões.
O sol dura para lá do tempo
de ser táctil ao corpo e ao pólen da terra.
O silêncio habita a velha casa
voltada para o mar.
Cúmplice da serenidade e da luz.
Acendo círios de prata entre as mãos
repartidas entre os sulcos da água e as pedras.
Vi-te a caminhar descalço pela areia da praia
e subitamente desapareceste,
como se perdido no nevoeiro.
Soube no entanto que estiveste aqui:
As tuas pegadas continuam marcadas no chão quente
das veredas do pinhal.

Na casa, agora despida de ti
as janelas estão abertas para o sol, os pássaros e gestos.
Há, nas paredes o sinal breve de um olhar que abarcou o mundo,
e a doçura de quem, sem se cansar, aguardou a colheita de todos os regressos.

Contigo conversei de mil viagens interrompidas, enquanto lá fora, nos chegava o ruído das bicicletas que corriam para longe, e consigo levavam uma cesta de sonhos, uma mala de incertezas, um coração subitamente tangível e surpreso...


(A "L.", que acredito ser agora o dono da chuva, do vento e do sol, pelo seu aniversário.
Onde quer que estejas...)


- 25-08-69 -

segunda-feira, Agosto 08, 2005

Conselho...




sem pressas

embrulha o silêncio

foge rente às palavras

estica a mão ao vento

e pela calada

pede abrigo ao mar

HFM


Obrigada Helena, estas margens seguem o teu conselho e preparam-se para outras águas, outros ventos e aromas. A todos, o meu desejo de umas excelentes férias.

Foto de Susan Underly

quinta-feira, Julho 28, 2005

Luz...

A matéria do sonho já não é
esta bola de Cristal onde antevia
os símbolos mais reais do teu regresso.
Desesperada(digo), mas não ouças.
Outras janelas há, ainda creio,
onde assomar a luz que por ti venha...

Levanta à luz do sol os teus olhos
deixa que brilhem, ah deixa...
Se uma luz maior vier, sei por quem chega.


A todos os que acompanham estas margens, aos que dela fazem parte, aos meus companheiros e desafiadores, deixo um beijo e o meu muito obrigada. Chegou o momento de descansar as palavras, a alma e o corpo.
Até já...


"Outros Caminhos" Foto de Lupan

quarta-feira, Julho 27, 2005

Não Digo....


Foto de Declan Mccullagh


Não digo nem mar nem rio,
digo teu poço
o mais fundo do teu querer.
Não digo fonte ou nascente,
digo sede
voragem de te beber.
Não digo seara ou pão,
digo trigo
das planicies do teu corpo em movimento.
Não digo chão ou terra,
digo-te, amor
das areias do tempo sobre o tempo...


segunda-feira, Julho 25, 2005

Do fundo do mar



"O fundo do mar
Está pejado de Homens-Concha

Na igual proporção
Que a espuma dos dias
Enche as praias de pergaminhos."


Conto-vos destas areias humilhadas
e das longas viagens em redor dos silêncios
e dos infindáveis vales dos pressentimentos.
Das muitas perguntas sem resposta
dos pergaminhos escritos à hora em que a luz
trazia a dolorosa saudade de uma pátria
tantas vezes ferida e atraiçoada.
Conto-vos das palavras prenhes de esperança
que nunca foram lidas por quem do outro lado
endoidecia de medo
Escritas com a tinta de uma lágrima revolta,
traidas pelas verdades que lhes eram desconhecidas

De sussurrados presságios e invioláveis pergaminhos
se encheram aos poucos as marés do tempo.
Foram e vieram ventos, outros ventos
Na soleira dos dedos adormeceram as exiladas palavras
Permaneceu um desertor sobressalto
e as muitas recordações que o coração, o corpo
e a alma retiveram...