quinta-feira, setembro 23, 2004

Desejos vãos

Eu queria ser o mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa,
O bem que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a arvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o mar também chora de tristeza...
O sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Abrem aos céus os braços, como um crente!
Tem lágrimas de sangue na agonia!

Eu queria ser o mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!


E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!...


Letra: Florbela Espanca
Música: Mário Gomes Pais
Voz: Mário Gomes Pais