sexta-feira, outubro 29, 2004

As Rosas


Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
És tu a Primavra que eu esperava
a vida multiplicada e brilhante
em que é pleno e perfeito cada instante

Quando à noite desefolho e trinco as rosas
És tu a primavera que eu esperava...

Sophia de Mello Breyner Andresen