sábado, fevereiro 26, 2005

Sigo [te]



Muito para lá da órbita do último planeta
Onde o sol é já só uma referência,
Vai residir a alma deste meu corpo desencarnado,
Do que foi uma apaixonada sem esperança.
Estarei na senda dos espíritos
De todos os seres do Sistema Solar
A caminho do Além Supremo,
Onde o Fim se confunde com o Princípio
E o Destino com a Origem de todas as coisas.
Hás de passar por mim e não me reconhecerás,
Porque o que de mim resta
É aquilo que nunca te deste ao trabalho de tentar encontrar,
Na ânsia que tinhas de cevares essa tua fome de matéria
efémera e perecível.
Olharás para mim sem me veres
Pois não provocarei qualquer imagem no fundo das tuas retinas,
E quando te acenar, apenas sentirás o bater de asas
De uma borboleta fora do alcance dos teus sentidos.
Mesmo assim sigo-te, meu amor
Farei com que dês por mim pois tenho Tempo...