quinta-feira, março 03, 2005

Amo...

Quando estou só e da tua presença apenas tenho a memória
vívida do teu Ser
Envolvo-me nela, como se de uma manta se tratasse, até que voltes, Cobrindo-me contra o frio da tua ausência, pensando:
Que amo eu em ti?
Teus olhos lindos mesmo quando chispam?
Tua boca fresca mesmo quando vocifera?
Teu cabelo negro mesmo revolto?
Tua doçura, tua inteligência, tua bondade?
Tua amargura, tua teimosia, tua crueldade?
O teu riso e o teu choro?
O teu coração imenso e a tua alva alma?
Não sei qual deles amo mais. É o todo que me encanta,
E exprimi-lo nunca conseguirei completamente,
Nem com todas as palavras e afagos desta vida

Margens



Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança de um peito
que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

António Ramos Rosa


Foto de Michel Thédenat