segunda-feira, março 07, 2005

Pai...



As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
Sobre um fundo de manchas já da cor da terra
Como são belas as tuas mãos
Pelo quanto lidaram, acariciaram
Ou fremiram da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
Essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
Nos braços da tua cadeira predileta,
Uma luz parece vir de dentro delas...
Vira dessa chama que pouco a pouco, longamente,
Viste alimentando na terrível solidão do mundo.
Como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
Conta o vento.
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
Essa chama de vida – que transcende a própria vida...

e que os anjos, um dia, chamarão de alma...

Mário Quintana


Tentei escrever para e de ti, não encontrei palavras, sabem todas a pouco..
Digo-te apenas que é um previlégio ter-te como Pai. E que te amo, que te amo muito.
Desejo-te um dia muito feliz, assim como todos os muitos que lhe seguem.


Foto de Dan Burkholder