quarta-feira, março 09, 2005

Palco da Vida...

Novo palco, novos adereços, novos actores.
Luzes suaves, um foco vermelho ao centro.
Entra em cena uma mulher. Cabelo negro e corpo felino, levemente ondulante. Traz nos olhos as sombras que ficaram do choro trágico das noites brancas de sonhos. Fala de pé, olha em frente, para lá dos espectadores. Inicia o monólogo

- O meu nome é Maria. Trago a dor comigo. Alojei-a na minha casa, deitei-a na minha cama, vesti-a de festa. Alimentei-a como um gato de estimação. Acariciei o seu pelo macio. A minha dor não tem cor. A minha dor é tão banal como o eléctrico que apanhei para aqui chegar. A minha dor não tem nome. A minha dor é apenas o silêncio de não voltar a ouvir a voz de sorrisos que sussurrava, amo-te maria. A minha dor fica na ausência de não saber quem ouve agora o nome amo-te maria. A minha dor é feita de solidão, de raiva e de paz. É só minha. A minha dor tem o nome que já esqueci. A minha estória começa e acaba onde o meu nome maria se apaga com uma borracha macia.

As luzes apagam-se devagar. O foco vermelho desvanece. Não há aplausos, não há público, é apenas um ensaio.

LolaViola



Sim, tenho esperança que os sorrisos sucedam às lágrimas
Que a bonança substitua o mau tempo
Que as minhas forças vençam a fraqueza do meu desalento.
Que a tua ausência sucumba às mãos da tua presença e
Que todas as tuas zangas sejam comigo,
Que seja o depósito dos teus desabafos,
Que me torne a esponja das tuas lágrimas.
Mas também...
A plateia dos teus sucessos,
A gémea da tua alegria
O coro das tuas gargalhadas,
A companhia dos teus passos e
O outro carril desta linha que desejo infinita.

Margem