sexta-feira, março 04, 2005

refugio ...

E me disseste: vem. E havia
alguns despojos sobre a areia, algumas
ressentidas grinaldas
no limiar das têmporas. Havia
alguns gestos suspensos, um cofre
de esmeraldas vermelhas, um torpor
nos membros retardados. E havia
um colar para as mãos, uma colina
para os lábios e uma flor
intacta perfumando
o silêncio, à beira
de indizíveis planícies.

Albano Martins




No badalar suave, das horas mortas, dos sinos das nossas almas,
Reverbera o meu amor por ti .
Ressonância infinita que faz perigar a integridade do senso
Que ainda me impede de enlouquecer no prazer que desejo.
Do esmaecer dos sons que se dissipam vai um beijo
Que lanço na esperança que te alcance
E te leve notícias de mim.
De mim para ti voa o sentimento como uma pequena ave
Que porá no teu peito, qual ninho, o ovo da minha paixão.
Bem fundo no meu ser está guardada a certeza doce
Da perenidade do refúgio eterno que és
Independentemente da tua ausência.


Foto de Mia Friedrich