sexta-feira, abril 01, 2005

De Ouro e Prata...


Houve um dia em que lhe apeteceu fugir, então, deitou-se numa praia deserta e esperou. Esperou que o mar a levasse. E veio a maré que começou por a embalar até que caiu no sono mais belo e profundo que o sol permitia.
Começa então a viagem…
Abriu os olhos e viu-se sentada na fria prata, dentro de si o quente ouro começa suavemente a deixar rastos de fogo.
Primeiro pensou nas razões que a levaram a fugir e sentiu o frio prata a tomar espaço no seu corpo. Sentiu um arrepio. Nem sabia as razões que a levaram a desejar essa fuga. Ou sabia?
Não, não queria pensar nisso.
Fechou os olhos com força. E sentiu o corpo a elevar-se no ar. Envolveu-se nos azuis e deixou-se transportar pela brisa cálida daquele fim de tarde. Respirou profundamente e de novo o quente ouro em si, roubando espaço à fria prata.
Os pensamentos correram com a brisa para sorrisos outros. Sentiu saudade dos abraços que ainda não tinha dado e dos beijos por acontecer, que lhe queimavam os lábios.
Sorriu no quente ouro, abraçada à brisa e deixou-se levar. Vazia de pensamentos, cheia de sentires.
Olhou para baixo, não sabia onde estava, não sabia do tempo nem das coisas. Tudo o que via eram azuis mar. Um mar imenso onde a prata e o ouro se misturavam em pinceladas suaves.
Apeteceu-lhe descansar no seu ondular manso. Mas, a brisa tornara-se vento e empurrava-a dali.
Em baixo, os azuis deram lugar aos verdes, às muitos cores primaveris que agora começavam a inundar os campos, cores que prometiam um novo começo. E quem sabe se esse começo seria beijado por um outro olhar. Sorriu.
Sentiu vontade de abandonar todo aquele nada que a envolvia, e voltar. Voltar a sentir todo o turbilhão de emoções ouro – prata, que lhe despertavam ora sorrisos que se choram, ora lágrimas que se sorriem, e que a faziam sentir viva!
Voltou...