segunda-feira, abril 18, 2005

Fragmentos de uma carta.. [a Ti]

Não sei como cheguei aqui. Sei que me parece ter percorrido um caminho longo, muito longo. Recheado de partilhas e descobertas a dois. E tu nunca aqui estiveste. Ou talvez sim, talvez eu nunca te tenha visto. Mas, bastou que os meus olhos te tocassem para que te reconhecessem. Reencontro? Talvez.
Em algum momento, não sei qual, a asfixia do silêncio que cala as bocas em monossílabos de sugerir começou sufocar-me. O teu silêncio é uma porta fechada sobre mim.
Dou-te as minhas palavras, para que faças delas as tuas e para que de ti nasçam outras, aquelas que te quero ouvir. Se eu pudesse amor, esvaziar-te-ia de todos os silêncios, e inundar-te-ia com as minhas palavras, que são tuas. E voltaria a bebê-las de ti, uma a uma.
Depois, o vazio da tua ausência, sem que nunca tenhas feito parte de mim, começou a ocupar os meus espaços. Do meu corpo, da minha alma sobeja tudo aquilo que és.
Os meus olhos passaram a percorrer trajectos de saudade.Trajectos das linhas que te constituem, e que prenderam o meu olhar, roubando-lhes a cor e o sentido. Despiram-se de tudo, para te receber. E tu não vens...
Não sei do amanhã, nem do tempo das coisas. Sei que um dia o meu olhar te há-de dizer que as palavras que eu não digo se escrevem em amor.

E que, ficarei aqui à tua espera, porque não sei ir ... sem ti…