sexta-feira, maio 13, 2005

E um dia...


E um dia...
aceitei soltar-me de mim,
repousar a minha segurança
nas tuas mãos, e fixar nos pilares
das tuas palavras a certeza do amanhã.
O céu fez-se azul,
as gaivotas dos sonhos oscilaram
no zigue-zague do vento.
Dos meus dedos partiram caravelas de ternura,
que sulcaram mares tornados úteis
na espuma do trajecto dos lemes da saudade.
Fizera-se o céu azul, amor!
Em mim, tudo era possível..
Todas as descobertas, todos os sonhos.
Até que de repente a lua se escondeu
e o mar secou.
As caravelas de vento adormeceram.
Meus dedos marinheiros, subiram mastros inúteis
à procura de ti.
Perdi-me de silêncios.
E voltei a sentar-me nas rochas à espera
do mar... de ti.
Foto de T. Nedelec