terça-feira, junho 28, 2005

Cala-me...




A felicidade é não ter palavras para atear o fogo
A boca verte-se sobre a boca
Como uma fonte ou a nascente de um rio
Bebe dos meus lábios, peço-te.
Respira-me como se eu fosse vento
e não digas nada,
Tão perto que estivemos do silêncio
que amar seria apenas reconhecer
que nos pertenciamos
Que importam as palavras?
elas, esquivam-se à verdade de qualquer emoção
Correm o leito dos dias como um ribeiro
para uma foz adiada
A realidade do amor está na vertigem
de o adivinhar, de o sentir.
Não. Não digas nada
Cala-me com o teu corpo
e deixa-me ficar assim de boca
encostada à tua boca
adivinhando o reencontro...



Foto de Susan Buchanan