segunda-feira, junho 20, 2005

Rotas....

Porque mares, que rotas, que corrente
Que imaginárias linhas te orientam?
Que forças, que vontade, que vertente
Que marés, que navios, que sextante,
Que maré desconhecida e imprudente
Te conduz por essa rota tão distante?

És a grande equação duma viagem
Que naufraga no meio dos meus braços
Sem indícios de azul ou descoberta
Que ao mesmo tempo oprime e me liberta
Na rota clandestina dos teus passos

Não sei onde se cruza o acaso e o destino
Não sei por onde passa a linha invisível
Dessa geometria desafiando o impossível
Que sinto nos meus olhos rasos de ânsia
Fitando a vaga e proibida azul distância

Mas sei que em cada rua há uma esquina
Entre o tédio e a rotina há uma abertura
Há sempre uma hora de fogo e aventura
Há um mar imaginário em cada ensejo
E hás tu, onde nasce o sonho e o desejo

Não me venham pois dizer que nunca mais
Não me falem do rigor dos pontos cardeais
Não me venham dizer que se acaba o infinito
Estão aquém do sonho as leis que me ensinais
É nas leis que há em mim que eu acredito

E por mais que seja exacta a geografia
Depois de tanto tempo a esperar por um só dia
Nasceu dentro de mim um Sésamo dourado
Que há-de encontrar o teu nome nas marés,
Nos becos da cidade, num semáforo fechado
Num sentido proibido, em qualquer lado
Todos os olhares me dirão quem és!...

Frog



Trouxeste flores. Lembro que te esperava
na sombra de um plátano voltado para o mar.
Um mar imenso, azul. cheio de indecifráveis sons.
Era um dia sem horas, de que serviam as horas
ao instante supremo do teu olhar?
Bebi-te tão longamente que dir-se-ia
poder morrer ali e a sede persistir, sempre.
E foi nesse preciso instante em que os nossos
olhares se tocaram, que soube
quem éramos...


Foto de Alfama