sexta-feira, julho 22, 2005

Caminhos...

Vinhas de um qualquer lugar que me era desconhecido
trouxeste contigo um livro jamais lido
e uma guitarra de silêncios,
Vinhas, sem nada procurar
sem olhar para os azuis das hortênsias
que perfumavam os caminhos
Vinhas simplesmente, como as águas e o fogo.
Esperava-te eu, do outro lado do rio,
Vem, disse-te.
E nos teus olhos brilhou o azul das flores que te adornavam
a imagem
iluminado pelo sol da tarde o teu corpo confundia-se
com a terra quente.
Sorriste,
e de mãos dadas incendiamos as palavras nos caminhos
que percorremos
lembro-me que cheirava a eucalipto
e uma leve brisa embalava-nos os passos.
O sol e todos os perfumes da terra te pertencem, disseste.
e sobre os meus lábios depositaste longamente
um beijo, como se tivesses pressa de chegar
a esse lugar dentro de mim onde convergem
todos os rios, todos os sentidos.
Respira-me, como se eu fosse o fruto, o vento, a flor,
como se não houvesse mais tempo... Disse-te.