quarta-feira, julho 20, 2005

Devia-me doer...

Devia-me doer,
a tentativa de reter o tempo em cada veia
o reprimir do grito que se nega
o amansar dos rios no seu correr
o quase não-ousar
o quase não-saber
Devia-me doer,
o manso abandonar
o súbito rasgar
o ceder ao silêncio
que ao silêncio antecede.

Devia doer-me ?

Contar-te-ei depois, se tempo houver
em que lugar do meu corpo se acendem já
as fogueiras mais rubras das palavras.
E o quão grata sou pelo que da alma veio.