segunda-feira, julho 25, 2005

Do fundo do mar



"O fundo do mar
Está pejado de Homens-Concha

Na igual proporção
Que a espuma dos dias
Enche as praias de pergaminhos."


Conto-vos destas areias humilhadas
e das longas viagens em redor dos silêncios
e dos infindáveis vales dos pressentimentos.
Das muitas perguntas sem resposta
dos pergaminhos escritos à hora em que a luz
trazia a dolorosa saudade de uma pátria
tantas vezes ferida e atraiçoada.
Conto-vos das palavras prenhes de esperança
que nunca foram lidas por quem do outro lado
endoidecia de medo
Escritas com a tinta de uma lágrima revolta,
traidas pelas verdades que lhes eram desconhecidas

De sussurrados presságios e invioláveis pergaminhos
se encheram aos poucos as marés do tempo.
Foram e vieram ventos, outros ventos
Na soleira dos dedos adormeceram as exiladas palavras
Permaneceu um desertor sobressalto
e as muitas recordações que o coração, o corpo
e a alma retiveram...