quinta-feira, julho 07, 2005

fim..


Nunca soube grandes palavras
abria as mãos e deixava escorrer
pétalas de sussurros
As suas maiores viagens fizeram-se
entre a soleira da porta e a esquina
de uma qualquer rua, onde, perdia o orgulho
a cada estender de mão
Colheu no sorriso das crianças o alento para mais um dia
O celeiro encheu-o do que não teve,
roubou da sua boca o pão e alimentou amores
Percorreu já todas as enevoadas planicies do olhar,
todos os infindáveis vales da esperança onde cada crepúsculo
é incendiado pelo voo dos passaros
De mãos entreabertas recolheu a frágil luz desse final de dia
e deixou-a escorregar mansamente sobre a água...



Foto de A. D.