terça-feira, julho 12, 2005

Não Cales...

Não sei contar-vos de um outro tempo de avanços e recuos
de dúvidas e temores, de fascínios submersos,
de um tempo de humilhações gratuitas e maus
tratos.
Precisava de uma palavra.
Uma palavra certeira, para dizer a história de uma mulher
ferida, que teimosamente espera, do gesto, um afecto.
Não, não é fácil contar deste lento e doloroso naufrágio,
deste tempo de promessas incumpridas.
ah, e o olhar, o olhar vazio, que omite as dores violentas
de uma mão que sobre ele se abate.
Interroga-me silenciosamente, tentando descobrir nos meus olhos
o elo solidário que os anos neles deixou permanecer.
Conta, peço-te..
Responde apenas com uma lágrima disfarçada por uma palavra
sussurrada entre os lábios fechados.
Diz,
Uma palavra, um sinal, qualquer coisa,
mas não cales..