quinta-feira, agosto 25, 2005

Aqui...


Aqui, meu amor, os dias não passam,
nem as ilusões.
O sol dura para lá do tempo
de ser táctil ao corpo e ao pólen da terra.
O silêncio habita a velha casa
voltada para o mar.
Cúmplice da serenidade e da luz.
Acendo círios de prata entre as mãos
repartidas entre os sulcos da água e as pedras.
Vi-te a caminhar descalço pela areia da praia
e subitamente desapareceste,
como se perdido no nevoeiro.
Soube no entanto que estiveste aqui:
As tuas pegadas continuam marcadas no chão quente
das veredas do pinhal.

Na casa, agora despida de ti
as janelas estão abertas para o sol, os pássaros e gestos.
Há, nas paredes o sinal breve de um olhar que abarcou o mundo,
e a doçura de quem, sem se cansar, aguardou a colheita de todos os regressos.

Contigo conversei de mil viagens interrompidas, enquanto lá fora, nos chegava o ruído das bicicletas que corriam para longe, e consigo levavam uma cesta de sonhos, uma mala de incertezas, um coração subitamente tangível e surpreso...


(A "L.", que acredito ser agora o dono da chuva, do vento e do sol, pelo seu aniversário.
Onde quer que estejas...)


- 25-08-69 -